quarta-feira, 12 de novembro de 2014

COMO AS EMPRESAS MAIS INTERNACIONALIZADAS DO BRASIL CHEGARAM LÁ





Porque se internacionalizaram
As razões que levaram as empresas para o exterior são diferentes. Para a Stefanini, uma das maiores empresas globais de serviços de tecnologia de informação, três pontos foram fundamentais: o alto nível da mão de obra do brasileiro em tecnologia, o gosto do fundador (Marco Stefanini) por viagens e as grandes oportunidades do mercado global.
Para a Metalfrio, empresa de geladeiras e freezer para a indústria de bebidas e de sorvetes, a globalização foi uma alternativa para o crescimento. Em 2003, a companhia detinha 2/3 do mercado brasileiro e as exportações cresciam incentivadas pelo câmbio. Segundo Caio, a empresa poderia ter escolhido ser uma companhia importante para o mercado brasileiro e crescer organicamente ou se lançar em uma estratégia de globalização. Ficou com a segunda opção. Hoje, metade da receita e dos funcionários da Metalfrio vem de outros países.
A empresa de motores elétricos, WEG, fez suas primeiras exportações já na década de 70. Com encomendas de outros países da América do Sul, a empresa foi "puxada" para o mercado externo. A globalização aconteceu de maneira natural anos mais tarde, na década de 80, quando os fundadores decidiram ir para a Alemanha em troca de conhecimento - a WEG queria mais tecnologia. As primeiras empresas estrangeiras surgiram na década de 90 e as primeiras fábricas nos anos 2000.

Maiores desafios
Os desafios encontrados pelas três empresas são muito parecidos. Mão de obra escassa, fluência baixa em outro idioma, não só para a língua inglesa, falta de equipe qualificada para levar a cultura da empresa brasileira para as outras unidades no exterior, falta de experiência no mercado internacional e questões tributárias foram as mais citadas. “Cada país tem uma lei. As dificuldades variam de país para país”, afirmou Stefanini.
Para a WEG e para a Metalfrio, a imagem ruim que os outros países tinham do Brasil antigamente foi um grande desafio para as empresas. O brasileiro não era visto como um empresário global e o que predominava era o conceito de que o país era samba, mulheres e futebol. As empresas que decidiam levar a marca do Brasil para o mundo, sentiam dificuldade para provar que eram capazes de entregar o que prometiam.

Nos dias de hoje, a imagem do Brasil lá fora melhorou e não atrapalha mais as empresas. Segundo Stefanini, foram as empresas que ajudaram a mudar a visão do Brasil lá fora.
Para Metalfrio, a facilidade de trabalhar em cenários complicados ajuda o brasileiro no exterior. Sendo criados em um ambiente de escassez, com dificuldades e incertezas, ficam capacitados para não ter medo de nada. O que pode ser mais difícil que o Brasil? Não tem nada mais difícil que o Brasil.

Por Ana Reis


1 comentário:

  1. É indispensável a apresentação de produtos e serviços brasileiros à outros países do mundo, não podemos nos contentar apenas com o título de país do futebol e do samba. Somos capazes e possuímos tecnologia e mão de obra capacitada.
    Eduardo Schmitz Roese

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